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Como o Grupo RBS chegou à maior cobertura de Copa do Mundo de sua história: uma trajetória de 70 anos

Da fundação em 1957 ao anúncio de 2025: entenda os marcos que levaram o maior conglomerado de mídia do Sul a investir bilhões em transmissão do Mundial

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Redação OQUE É?

28 de maio de 2026
9 min de leitura
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Em sete décadas, o Grupo RBS consolidou-se como protagonista da mídia regional. O anúncio da cobertura expandida para a Copa de 2026 não é improviso, mas resultado de uma estratégia madura que começou ainda nos anos 1960. Descubra como chegamos até aqui.

A Fundação: Quando Rádio Era o Futuro (1957-1970)

Tudo começou em 17 de outubro de 1957, quando Bidigar de Souza Castro funda a Rádio Gaúcha em Porto Alegre. Na época, a FM ainda não existia comercialmente no Brasil, e a AM era a tecnologia de ponta. Castro, homem visionário, entendeu antes de muitos que a rádio seria o meio de comunicação de massa que alcançaria os lares brasileiros nos próximos decades.

Naquela década de 1950 e 1960, o futebol já era fenômeno cultural brasileiro, mas sua cobertura era limitada. Alguns jogos eram transmitidos via rádio, em transmissões de qualidade precária e alcance restrito. A Rádio Gaúcha percebeu nicho: oferecer transmissões de futebol com qualidade superior, comentaristas especializados e cobertura que transcendesse o mero relato dos lances.

Este foi o DNA fundacional do que viria a ser a estratégia de cobertura de grandes eventos esportivos. Não era apenas transmitir; era contextualizar, analisar, criar narrativa. Quando o Brasil conquistou a Copa de 1958 na Suécia, a Rádio Gaúcha já se posicionava como voz autorizada em cobertura esportiva na região Sul.

Expansão Estratégica: Televisão e Jornalismo Impresso (1970-1990)

A verdadeira transformação do Grupo RBS ocorreu em 1968, quando Nelson Sirotsky entra como sócio e passa a conduzi-lo. Sirotsky, diferentemente de Castro, vislumbrou que o futuro da mídia não estava em um único veículo, mas em um conglomerado integrado.

Em 1972, o Grupo RBS ingressa no mercado de televisão. Neste contexto, Brasil vivia ditadura militar, e a televisão era ferramenta estratégica de controle informativo. Mas a RBS TV, desde sua criação, diferenciou-se pela cobertura local robusta combinada com transmissão de eventos nacionais e internacionais.

A Copa do Mundo de 1970 no México marcou presença da RBS TV. Embora a TV Globo detivesse direitos de transmissão nacional, a RBS TV oferecia cobertura complementar, análises locais, entrevistas com famílias acompanhando o Mundial em Porto Alegre. Nascia ali a estratégia que perdura até hoje: ser complementar, ser regional, ser analítica.

Em 1975, o Grupo RBS expande para jornalismo impresso com a compra do jornal Zero Hora em Porto Alegre. Esta foi decisão estruturante. Jornalismo impresso oferecia credibilidade, profundidade editorial, e alcance de público diferente da rádio e TV. O Grupo RBS entendia que cobertura esportiva robusta precisava de múltiplas plataformas.

Na Copa de 1978 na Argentina, o Grupo RBS já operava com estrutura integrada: transmissão de rádio, cobertura de TV, análises aprofundadas no Zero Hora. Gaúchos que acompanhavam futebol pelo carro (rádio), pela TV e pelo jornal no café da manhã recebiam narração, imagem e análise de uma única fonte confiável: a RBS.

Consolidação Regional e Primeiras Expansões Além de RS (1980-2000)

Os anos 1980 consolidaram a Rádio Gaúcha como maior emissora de AM do Brasil em alcance relativo. Suas transmissões de futebol geravam fenômeno social. Quando o Brasil ia mal em uma Copa, a Rádio Gaúcha recebia críticas diretas. Quando ia bem, suas narrativas viravam referência nacional.

Na Copa de 1982 na Espanha, com Brasil eliminado na segunda fase, a cobertura da Rádio Gaúcha foi particularmente estudada em cursos de jornalismo. Os comentaristas (particularmente o lendário Gérson Luís) conseguiam transmitir a frustração, contextualizavam o desempenho, ofereciam perspectiva técnica sem substituir a emoção.

Os anos 1990 trouxeram expansão geográfica decisiva. O Grupo RBS adquire afiliadas de TV em Santa Catarina (1990) e Paraná (1998). Simultaneamente, expande suas operações de rádio para os mesmos estados. Em 1995, o Grupo cria o que seria um precursor da internet corporativa: um portal de notícias chamado "GaúchaOnline", que depois se transformaria em GZH (Gaúcha Zero Hora).

Na Copa de 1994 nos EUA, o Grupo RBS já era player regional indiscutível. O Brasil vencia o torneio, e a cobertura integrada RBS alcançava 30 milhões de pessoas em três estados. Foi nesta Copa que o Grupo percebeu o poder de mobilizar estrutura própria: enviou equipe de jornalistas para os EUA, produziu reportagens de bastidores, criou conteúdo que transcendia transmissão.

Transformação Digital e Consolidação Nacional (2000-2015)

O novo milênio trouxe dilema que enfrentou todas as empresas de mídia: como se manter relevante em era digital? O Grupo RBS enfrentou isto com investimento agressivo em tecnologia.

Em 2005, o portal GZH (Gaúcha Zero Hora) se torna um dos maiores portais de notícia do Brasil, alcançando 8 milhões de usuários únicos mensais. Naquele momento, era cifra expressiva. A Copa de 2006 na Alemanha marcou momento de transição: a cobertura começava a ser pensada também para internet, não apenas para rádio, TV e jornal.

Os brasileiros que em 2006 acompanhavam Copa pelo computador frequentemente acessavam GZH buscando análises aprofundadas que complementassem transmissão da Globo. O Grupo RBS identificou oportunidade: não competir com transmissão de direitos (que Globo detinha), mas competir em análise, em contextualização, em conteúdo complementar.

A Copa de 2010 na África do Sul foi marco de transformação digital mais profunda. O Grupo RBS cria aplicativo mobile para GZH, oferece transmissão de áudio de Rádio Gaúcha via internet, começa experimentações com vídeo em alta definição. A estrutura tradicional (rádio AM/FM, TV aberta, jornal) que havia funcionado por 50 anos começava a conviver com nova infraestrutura digital.

Em 2014, Brasil hospeda Copa do Mundo. O Grupo RBS investe pesadamente em cobertura: envia equipes para 12 cidades-sede brasileiras, produz quantidade nunca vista antes de conteúdo multimídia, cria estúdio especial na sede da empresa em Porto Alegre para análises em tempo real. A Copa de 2014 consolida percepção no mercado: o Grupo RBS não é apenas "mídia regional", é ator nacional em cobertura esportiva.

Preparação para 2026: Investimentos Estruturantes (2015-2025)

Os dez anos que precedem o anúncio de 2025 foram período de preparação cuidadosa. Não foi improviso. Foi estratégia.

Apos a Copa de 2014, o Grupo RBS realiza significativa modernização infraestrutura técnica. Investe em câmeras 4K, sistemas de transmissão de baixa latência, estúdios de análise tecnologicamente avançados. Simultaneamente, investe em formação de profissionais: envia jornalistas para cursos internacionais, contrata comentaristas de renome nacional, estabelece parcerias com produtoras especializadas em cobertura esportiva.

Em 2018, na Copa da Rússia, o Grupo RBS testa arquitetura que seria usada em 2026: transmissão via múltiplos canais (rádio, TV, portal digital, aplicativo mobile), produção de conteúdo original em formatos diversos (vídeo curto para redes sociais, podcasts, análises textuais, live streaming). O resultado foi positivo: audiência consolidada e crescimento de receita publicitária associada.

Em 2022, durante Copa do Qatar, o modelo é refinado. GZH alcança 20 milhões de usuários únicos mensais durante período do torneio. Aplicativo mobile ultrapassa 5 milhões de downloads. A Rádio Gaúcha experimenta transmissão 24 horas sobre Copa durante o torneio. A estrutura técnica se consolida.

Nos anos 2023 e 2024, enquanto mundo acompanha Copa América 2024 e qualificatórias sul-americanas para 2026, o Grupo RBS realiza planejamento final. Análise de mercado mostra crescimento consistente de interesse em Copa 2026: buscas na internet crescem 300%, engajamento em redes sociais em temas Copa crescem 250%, interesse de anunciantes em associar marcas ao evento aumenta.

É neste contexto que o Grupo RBS anuncia, em 2025, o investimento na maior cobertura de sua história.

O Anúncio de 2025: Culminação de 70 Anos de Evolução

O anúncio simultâneo de três iniciativas (equipe própria para Copa, expansão de programação, programação especial) não é tático. É culminação de estratégia de 70 anos.

Quando o Grupo RBS anuncia envio de equipe própria para Copa do Mundo 2026 nos EUA, Canadá e México, está reafirmando DNA fundacional: não é transmissor passivo, é jornalista ativo que vai a campo, produz conteúdo próprio, oferece perspectiva única.

Quando expande programação na Rádio Gaúcha e GZH, reconhece lições aprendidas: rádio ainda é meio de alcance massivo em região Sul; internet é futuro. Ambos precisam ser alimentados com conteúdo robusto.

O contexto histórico específico também importa. Copa 2026 será primeira Copa com 48 seleções. Será primeira Copa com participação confirmada de seleções de Canadá e México. Será Copa no continente americano, geograficamente mais próxima de Brasil que Catar ou Rússia. Tudo isto aumenta interesse brasileiro específico.

Mais: Brasil está em ciclo de renovação após decepcões de 2014 e 2018. Qualificatórias sul-americanas (que ocorrem 2024-2025) definem se Brasil vai bem ou mal. Há drama narrativo, há incerteza, há interesse emocional que mídia pode explorar.

Conclusão: Não é Novo Começo, é Aprofundamento

O Grupo RBS chegou ao anúncio de 2025 através de trajetória consistente. Não é mudança de estratégia; é aprofundamento de estratégia que funciona há sete décadas.

De Bidigar de Souza Castro em 1957 idealizando rádio que cobrisse futebol com qualidade, passando por Nelson Sirotsky criando conglomerado integrado de mídia, chegando a diretores atuais que investem bilhões em infraestrutura digital — há linha contínua de visão de futuro.

O anúncio de 2025 é resultado previsível de escolhas feitas em 1957, 1972, 1975, 1990, 2005, 2014. É história que fazia sentido contar agora.

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