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De Campeão da América ao Desafio da Sul-Americana: A Trajetória que Levou o Grêmio ao Confronto com o Palestino

Entenda como o clube gaúcho chegou até aqui e por que a Copa Sul-Americana 2024 representa um turning point na história recente do Tricolor

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Redação OQUE É?

28 de maio de 2026
6 min de leitura
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O Grêmio chega ao confronto contra o Palestino nesta semana após uma jornada marcada por altos e baixos. Analisamos a linha do tempo que levou o clube de Porto Alegre de campeão da Libertadores 2017 até este momento decisivo na Copa Sul-Americana, passando por reconstruções, fracassos e renovada esperança.

A Glória Recente e o Começo do Declínio

Para entender por que o Grêmio está disputando a Copa Sul-Americana 2024 contra o Palestino, precisamos retroceder sete anos. Em novembro de 2017, o Tricolor gaúcho conquistava seu terceiro título da Copa Libertadores ao derrotar o Lanús da Argentina na final disputada em Mendoza. Aquele time, liderado por Renato Portaluppi e estrelas como Everton Cebolinha, Luan e Diego Tardelli, representava o auge de uma geração que havia dominado o futebol brasileiro entre 2015 e 2017.

Aquela vitória na Libertadores foi o pico de uma montanha que começaria sua descida logo em seguida. O Grêmio iniciou 2018 como campeão continental em atividade, participando da Recopa Sul-Americana contra o Independiente del Valle, mas a história da temporada seguinte seria bem diferente. Entre 2018 e 2019, o clube começou a sofrer com problemas estruturais que nenhuma contratação conseguiria resolver completamente: falta de identidade tática, renovação geracional deficiente e uma série de decisões administrativas que enfraqueceram o elenco.

O Período de Transição: 2019-2021

A saída de Renato Portaluppi em 2019 marcou o início de uma era turbulenta. Técnicos como Tiago Nunes, Luiz Felipe Scolari (em sua passagem de curta duração) e outros não conseguiram reproduzir a solidez que o Tricolor havia conquistado anos antes. O clube seguiu participando da Libertadores, mas sem aquela presença intimidadora que caracterizava os gremistas nos anos anteriores.

Em 2020 e 2021, o Grêmio ainda mantinha expectativas de retorno à glória, chegando inclusive à semifinal da Copa do Brasil em 2021, onde foi eliminado pelo Atlético Mineiro. Porém, esses resultados mascaravam um problema maior: a falta de uma construção sólida. A instituição oscilava entre contratações caras que não se encaixavam e a dificuldade de manter seu próprio elenco. Jogadores como Everton Cebolinha saíram para o exterior com valores inferiores ao esperado, enquanto novas aquisições não rendiam como promessas.

A Queda para a Série B e a Reconstrução Necessária

O ponto de inflexão chegou em 2022. O Grêmio vivenciou sua primeira queda à Série B do Campeonato Brasileiro em toda sua história. O rebaixamento foi traumático para um clube acostumado a disputar Libertadores e conquistar títulos. Este momento representa um divisor de águas na história recente da instituição: o fim da era dourada de forma definitiva e o início de uma reconstrução que ainda está em andamento.

A volta à Série A em 2023 foi comemorada, mas trouxe consigo a realidade de um clube que precisava ser reconstruído do zero. Sem capacidade financeira para grandes contratações, o Grêmio teve que investir em jogadores da base, em atletas desaproveitados por outros clubes e em uma paciência administrativa que contraditava a urgência dos torcedores.

O Retorno às Competições Internacionais

Em 2024, após conquistar o acesso à elite nacional, o Grêmio voltou a participar de competições continentais. Porém, o acesso à Libertadores não foi conquistado logo: foram necessários os resultados na Série A para conseguir vaga, o que atrasou significativamente o planejamento do clube. Como alternativa, a Copa Sul-Americana surgiu como oportunidade real de retornar a uma final continental.

A Sud-Americana sempre foi vista pelo Grêmio como competição de segunda categoria, especialmente após a conquista de três Libertadores. No entanto, para um clube em reconstrução, esta representa uma janela de oportunidade significativa. O torneio, organizado pela CONMEBOL desde 2002, já produziu campeões de grande respeito: Boca Juniors, Atlético Nacional, São Paulo. Conquistar a Sul-Americana em 2024 seria um marco importante na retomada do Grêmio.

O Caminho até o Palestino

A campanha gremista na Sul-Americana 2024 passou por adversários de dificuldade variada. O clube conseguiu eliminar seus primeiros adversários e chegou à fase de confronto direto contra o Palestino do Chile. Esta progressão não foi simples, e cada vitória representou esforço significativo do elenco que ainda está aprendendo a jogar juntos sob nova estrutura.

O Palestino, por sua vez, representa um tipo diferente de desafio. Não é um gigante sul-americano como Boca ou River, mas é um clube competente que disputa regularmente na Série A chilena. O confronto agendado para terça-feira, 14 de maio, é exatamente o tipo de jogo que mostra se o Grêmio conseguiu aprender as lições de sua queda ou se ainda permanece vulnerável à equipes de nível intermediário.

O Contexto das Provocações e da Pressão Mediática

Paralelamente ao confronto técnico, o Grêmio enfrenta pressão psicológica vinda de rivais como o Montevideo City Torque. A frase "Você parecia maior" reflete uma estratégia comum no futebol sul-americano: clubes menores tentam desestabilizar rivais maiores através de provocações nas redes sociais. Este é um sintoma do enfraquecimento relativo do Grêmio no continente.

Há sete anos, nenhum clube sul-americano ousaria provocar o Tricolor gaúcho. Aquele era um time respeitado, temido e que terminava seus compromissos continentais de forma vitoriosa. A mudança de tom nas redes sociais reflete uma mudança real no poder relativo das instituições.

O Padrão Repetido

Uma análise importante levantada pela mídia especializada é que o Grêmio "repete o mesmo filme do ano passado". Esta constatação sugere que os problemas não são circunstanciais, mas estruturais. Mesmo com elenco modificado e nova temporada, o clube enfrenta dificuldades similares: falta de consistência, oscilação de desempenho, e incapacidade de manter padrão ofensivo ou defensivo durante 90 minutos.

Este padrão repetitivo é talvez o indicador mais preocupante para a torcida gremista. Não se trata apenas de perder um jogo aqui ou ali, mas de indicadores que sugerem problemas táticos, mentais ou administrativos que transcendem o elenco disponível.

Onde Chegamos Agora

Chegamos ao ponto onde o Grêmio, sete anos após ser campeão da América do Sul, disputa a Copa Sul-Americana contra um Palestino chileno em uma terça-feira de maio. Este é ao mesmo tempo o resumo de uma queda e o início de uma possível retomada. O confronto de 14 de maio será observado atentamente por torcedores, mídia e rivais porque resumirá se o Grêmio conseguiu iniciar sua reconstrução de forma sólida ou se apenas está marcando passo em um processo mais longo e doloroso que ninguém quer admitir.

A história do futebol demonstra que grandes clubes conseguem retomar sua trajetória vitoriosa, mas frequentemente isso leva uma década ou mais. O Grêmio está apenas no terceiro ano de sua reconstrução. A jornada pelo Palestino nesta semana é um passo crucial, mas apenas um passo em uma maratona que pode determinar se o Tricolor gaúcho retorna à sua condição de gigante continental ou se aceita um papel reduzido no futebol sul-americano das próximas décadas.

Redação OQUE É?

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